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Parceria público-privada

Por Armando Holanda

Eduardo Alexandre

Não sou, nem serei, por absoluta falta de cultura e talento, um crítico sobre temas que digam respeito às artes plásticas neste Estado.

Sou, se muito, um apreciador dos artistas potiguares. Alguém que em determinado momento da vida estimulou e estimula a pessoa jurídica que integrou – escritório de advocacia – no labor e no prazer de reunir obras dos nossos pintores e somente deles. Nativismo? Telurismo?

Essa missão tem um responsável: Antonio Marques. Dele nasceram as lições básicas que conduziram à montagem da coleção composta por telas de Newton Navarro, Dorian Gray, Assis Marinho, Iaponi Araújo, Leopoldo Nelson, Iaperi Araújo, Fé Córdula, Jordão, Zaíra Caldas, Erasmo, Marcellus Bob, Thomé, Luiz Nazário, José Carlos, Iran, Bernadete, Enoch Domingos, Cézar Revoredo, Grilo, Jussier Magalhães, Pedro Vicente, Marcelo Fernandes, Márcia Tresse, Maria do Santíssimo, Vatenor e de tantos outros artistas potiguares.

Na coleção destacam-se as telas de Newton Navarro no início da sua brilhante trajetória, quando, sem que esse detalhe lhe traga qualquer desdoiro, nelas estão visíveis as influências de Picasso, Modigliani, Lasar Segall e de Aldemir Martins, este último de forma mais acentuada.

Penso que o acervo não pode ficar recluso às sisudas paredes de uma pessoa jurídica.

É preciso que os artistas caminhem diante dos olhos dos cultos e dos ainda incultos.

Os pastoris de Dorian precisam desfilar para todos.

As casas de Iaponi necessitam ser vistas por tantos.

Newton não é o nome da ponte, mas, sim, certamente, o expoente, o nosso grande pintor, pelo que suas obras não devem ficar restritas à Pinacoteca e às coleções privadas. Preciosos trabalhos seus, desde 1948, estão burocraticamente postas em nichos alheios aos olhos dos conterrâneos. As suas duas mulheres nuas, de 1948, são seres lascivos, sensuais, tomadas de luxúria e libidinagem. São lindas!

A Fundação José Augusto, leia-se a Professora Isaura Rosado, tem realizado uma sequência de exposições de artistas consagrados e de artistas promissores, estes tão necessários à renovação da cultura potiguar.

As coleções privadas devem ser conhecidas pelo público, pelas pessoas mais simples, que, seguramente, inspiraram os artistas na descoberta das cores e das emoções vestidas de azuis, vermelhos, verdes, amarelos, cinzas, e cores tantas espraiadas nas telas eternas.

Há necessidade imperiosa e inadiável, de uma parceria público-privada, que democratize o acesso popular às artes plásticas entesouradas por uns poucos.

A parceria precisa ser estimulada, transforar-se em uma realidade, ser vivida.

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