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Duas ou três coisas que eu sei dele

Por Augusto Lula

Primeiramente, foi com o advento das chamadas DSR´s digitais, que houve uma espécie de retomada da cena audiovisual em Natal. Cena que tinha nascido e morrido no fim dos anos 1980 e início dos anos 1990 com as VHS trazidas de “muamba” de Manaus.

Poucas foram as produções realizadas nesse período mas, foram produções marcantes, tanto no Doc, como no Experimental e Ficção.

Podendo citar aqui Sayonara Pinheiro, Guaraci Gabriel e Civone Medeiros do GRUPO ÔXENTE, pioneiro do hoje chamado coletivo; além de nomes de outros realizadores tais como: J. Medeiros, Mário Ivo, Angeles Laporta, Carito, Ayres Marques e de Augusto Luis.

Nessa mesma época, existia também a TV Garrancho que, entrincheirada no Centro de Memória Popular e Direitos Humanos, atuava basicamente documentando os movimentos sociais.

Desse período, existem várias gravações de eventos culturais e afins em bolorentas gavetas ou prateleiras.

Com o surgimento das DSR e seu preço mais em conta, foi uma espécie de estouro de boiada.

Recomeçaram produções que em seu primeiro momento alcançaram uma grande repercussão de público, que queria ver a sua cara nas telas.

Esse importante momento de retomada produziu também como efeito em sentido contrário, um esvaziamento do público, que não vendo qualidade de forma ou de conteúdo foi se ausentando dos festivais e mostras que cresciam feito formigueiros.

A partir dessa debandada de público, aconteceu uma parada e uma busca de especialização técnica com oficinas e cursos. Passado esse hiato da produção - que na verdade era uma busca de aprendizagem - o audiovisual em Natal ressuscita com uma qualidade que, se não digo ainda excelente, é porque falta dinheiro para elevar ainda mais a qualidade dessa produção.

É importante lembrar que a criação da Cinemateca do IFRN da Cidade Alta é fundamental para a preservação dessa produção, o que, infelizmente, não ocorreu com a quase totalidade do que foi realizado num passado ainda recente.

Pensando no futuro que já é amanhã, penso que os editais, e digo sem ser uma crítica negativa, deviam aumentar o valor de suas premiações e as emissoras de TV´s Públicas deviam comprar conteúdo do nosso Estado para injetar dinheiro no nosso Cinema. Afinal de contas, o Audiovisual é uma arte que, além gerar emprego e renda, e de envolver um grande número de pessoas, necessita de dinheiro para sua adequada realização.

É importante ressaltar que nesses novos tempos que já duram uns 10 anos, o Audiovisual de Natal multiplicou-se pragmaticamente e hoje, além de Docs e Videoclipes, também já anda a passos largos na Ficção e em Minisséries para a Web.

O surgimento dos Coletivos foi da maior importância, eles agregam não apenas fazedores do Audiovisual mas, também, artistas de outras áreas e, é sempre bom lembrar que o Cinema é a sétima arte e amálgama às outras seis Artes.

E essa união somente faz elevar o nível do Audiovisual Cinema, essa Arte pós Ópera Total Wagneriana. Vida Longa ao CINEMA PAPA JERIMUM porque a Vida é Breve.

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