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Editorial

Rayane Maianara

Há quem acredite que a maior virtude da mulher seja se manter doce quando a vida se torna dura, amarga e cruel. A mulher precisa lidar com muitas obrigações, papéis e expedientes, tudo ao mesmo tempo. Esperar que ela se mantenha afetuosa o tempo inteiro é acreditar no mito do modelo, da mesma forma que exigir que ela seja apenas rocha é subestimar a capacidade transformadora da alma feminina. Mas essa não é a discussão que norteará a edição 109 deste Nós, do RN. Nosso propósito aqui é mostrar um pouco mais da mulher potiguar, guerreira na essência, bonita por decisão da natureza. De Leste a Oeste, do Seridó ao Litoral, a mulher norte-rio-grandense que vai escrevendo a história deste Estado com suas próprias mãos. Clara Camarão, Nísia Floresta, Celina Guimarães, Auta de Souza, Auzira Soriano, Joana Bessa, Maria do Céu Fernandes, Dona Militana, Ademilde Fonseca, Núbia Lafayette, Deborah Seabra, Laly Carneiro e tantas outras Marias, Antônias, Joanas, Franciscas que ferram sua marca ao enfrentar os preconceitos e tradições, que criam sozinhas suas famílias deixando legados culturais, sociais e econômicos essenciais para o desenvolvimento deste País. Mas não só as vencedoras; também aquelas que continuam sofrendo a grave opressão masculina e social. Vítimas da violência doméstica, do ciúme, da raiva desumana que faz a mão criminosa de seus companheiros derramarem seu sangue sem motivo algum. Questões que nos levam a uma reflexão sobre os mitos que ainda permanecem instalados em nossa comunidade, fenômenos que se mantêm vivos numa sociedade que se moderniza todo dia, mas que continua vitimizando a mulher de maneira covarde, injusta e desumana. O governo estadual trabalha sério em defesa da mulher Potiguar. Contamos com a sabedoria do governador Robinson Faria que trabalha pelo reconhecimento de nossos direitos e vai além, quando faz questão de contar com grandes mulheres junto com ele à frente de sua gestão, como você vai conferir na reportagem #Empoderadas. Mulher Potiguar é mais que uma revista, uma ode à mulher, mas também à liberdade, aos direitos básicos, de ir e vir, de trabalhar e poder dizer não – e não significar unicamente não. Uma homenagem a nós mesmas e às mulheres que amamos. As que nos ensinaram, como nossas mães e nossas avós, as que nos dão a condição de aguentar o dia a dia, como nossas amigas, e até àquelas com quem brigamos, mas com quem dividimos os momentos mais importantes de nossas vidas, que são nossas irmãs. No meu caso específico, a minha irmã Sonia Noronha, que viajou antes do tempo para a morada eterna, mas que deixou em nós uma lição valiosa de amor próprio e coragem de vencer com dignidade um dia de cada vez, neste desafio constante de construir o nosso futuro. Boa leitura!

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